em frente a casa dele
Eu sei que Paulo Freire foi ou ainda é uma sumidadade em várias universidades do mundo, Doutor Honoris Causa por 27 universidades, publicou mais de 40 livros que foi traduzido em 28 idiomas, poderia continuar tecendo a biografia de Paulo Freire que vocês retiram facilmente do Google, mas prefiro contar minha curta, mas rica experiência com esse nobre educador.
Tudo começou na minha adolescência, por volta dos 17 anos ainda no magistério, com uma professora que era apaixonada por Paulo Freire, seu nome é Silmara nos deu uma obra dele para ler, não me recordo qual, acho que foi : A Importância do Ato de Ler (passaram-se 22 anos desde então), ela falava dele com paixão que faziam olhos e coração de várias adolescentes como eu querer beber da fonte, e assim fui o que fiz:
Li pedagogia do oprimido, e confesso que na época não fez muito sentido educação bancária, mas eu tinha apenas a maturidade de uma adolescente de 17 anos, em seguida li Educação como Prática da liberdade, nossa que revolução, depois li professora sim tia não, eu defendia o slogan, apesar de ter conseguido meu primeiro emprego ,onde eu era chamada de TIA, pura incoerência, mas eu tinha nas entranhas as ideias de Paulo Freire, já lia com mais domínio seus livros e conseguia entender o que ele queria por trás de um “método tão simples”, mas ao mesmo tempo tão revolucionário, porque era político, ideológico para adultos analfabetos, os faziam pensar, serem donos de sua própria história.
Quê? Por quê? Como? Para quê? Por quem? Para quem? Contra quê? Contra quem? A favor de quem? A favor de quê? - são perguntas que provocam os alfabetizandos em torno da substantividade das coisas, da razão de ser delas, de suas finalidades, do modo como se fazem, etc.
Passaram-se 6 anos,(estava com 23 anos) muitas coisas haviam acontecido na minha vida, uma delas é que havia saído da escola da TIA, entrado na Universidade no curso de Pedagogia, perdido meu pai, amadurecido a fórceps, amando ainda mais Paulo Freire e me engajei na Universidade no projeto de Alfabetização de Adultos, mas era tão oposto do que eu havia aprendido com Paulo Freire, mesmo assim fiquei por quase 3 anos, quando entrei numa importante Instituição que trabalha com EJA (Educação de Jovens e Adultos) no Brasil, mas também era bem “quadradinha”, mas que eles não leiam eu dava o meu jeito de colocar o que eu acreditava.
Para encerrar a minha passagem, vou contar 4 fatos que ocorreram e que ficaram marcados na minha memória, e como diz Adélia Prado: “aquilo que amamos fica eterno na memória; ’por isso quero compartilhar com vocês:
1. Tive a oportunidade de ir na casa dele com algumas amigas (Helena, Patrícia ) para uma entrevista de um trabalho da Universidade, e ele na sua mais pura simplicidade pediu que aguardássemos só um pouco que ele estava terminando uma “coisinha”, essa coisinha nada mais nada menos era o livro Pedagogia da autonomia, que ele escrevera a mão e dera para “Lilian” sua secretária digitar, depois ocorreu a entrevista, nos apresentou a esposa e companheira Nita, nem preciso dizer que essa experiência foi ímpar em nossas vidas.
2. Nessa mesma época estávamos engajadas no Centro Acadêmico da nossa Universidade de extrema direita e resolvemos trazer Paulo Freire para falar na semana de educação, conseguimos a autorização da Universidade, afinal agora ele não era mais um subversivo e sim uma celebridade da Educação Mundial e por outro lado Paulo Freire se sentiu de certa forma agradecido, só fui entender o porquê depois.
3. Quando fomos buscá-lo em sua casa ele estava de camisa e gravata, calça social vinha muito ansioso pelo caminho dizendo não acreditar ainda que poderia falar em nossa Universidade, na qual foi barrado algumas vezes por ser subjugado "subversivo" , "de esquerda", aquilo nos comoveu e dissemos a ele que seria convidado de honra, acho que isso que é virada na história, ele falou para um auditório lotado, foi aplaudido de pé, inclusive pelo reitor da Universidade, e saiu emocionado de lá,e a conversa de volta no carro foi igualmente ímpar em nossas vidas.
4. Eu fiz uma pergunta para Paulo Freire : de como ele se sentia sendo uma "personalidade" tão famosa, reconhecido por tantas universidades por seus feitos?
Eis sua resposta: SINTO-ME ORGULHOSO, FELIZ, MAS JAMAIS TENHO O DIREITO DE ME SENTIR ABESTALHADO COM ISSO!
Assim termina a minha curta passagem com Paulo Freire, pois no ano seguinte ele nos deixou fisicamente, jamais em pensamento e alma, seus ensinamentos são eternos.

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